Se tem alguém que é inimigo do fim esse alguém é Eiichiro Oda. Não é nem que o homem não larga o osso, ele apenas tem uma técnica de comer bem devagarinho aquele galeto bem temperado de domingo por quase três décadas, tornando essa experiência prazerosa e banal em uma odisseia de dar inveja naquele pentelho do Odisseu. O artista japonês só havia publicado cinco obras de apenas uma edição cada uma antes de lançar o primeiro mangá de One Piece em 1997, e, desde então, ele fez questão de tornar a história do pirata Monkey D. Luffy o seu trabalho vitalício. Com 115 volumes publicados, um anime com 1.100 episódios, um live action feito pela Netflix com duas temporadas e nenhuma previsão de nenhum deles terminar nos próximos quatro anos. Porra!
E o segredo dessa longevidade? Oda sabe fazer um feijão com arroz delicioso e acrescentar temperos novos bem quando estamos começando a enjoar da sua receita… mas nunca deixando de ser um feijão com arroz. One Piece é uma jornada do herói clássico, com personagens carismáticos, uma construção de mundo criativa e simples e o mais importante: uma inocência que consegue cativar tanto crianças quanto adultos.
One Piece: O Filme, que estreia nos cinemas agora em setembro, segue exatamente essa fórmula: um feijão com arroz clássico e bem feito. Nele, acompanhamos Luffy e sua tripulação em busca do tesouro mais precioso do mundo deles (o One Piece), que foram roubados pelo pirata Eldoraggo. A história toda se desenrola em recuperar seus bens, derrotar o vilão e descobrir um novo tesouro que envolve a história de um avô com o seu neto.
Assim, vou ser bem sincero… é um filme gostosinho de se ver. Rápido de assistir, com uma história simples, lutas bem animadas e conexão sentimental bem impactante entre os personagens e com o público. Há momentos bem sólidos que nos fazem compreender o porquê dessa história ser um sucesso mundial e movimentar uma legião de fãs fieis durante três décadas.
Ao mesmo tempo, o filme pode estar sendo lançado pela primeira vez no Brasil agora, mas ele é do ano de 2000 e conseguimos perceber isso nos próprios traços da animação, bem datada até para a época. A ambientação é bem no comecinho da história de Luffy, com muitos personagens icônicos nem aparecendo ainda na sua tripulação, como a Nico Robin e o Chopper, que é praticamente o mascote da série. O personagem Sanji, inclusive, só aparece em uma mini história no começo, mas não na principal do filme…o que é uma escolha bem curiosa.
Outro ponto é que o enredo dessa obra é o que chamamos de filler, ou seja, seus desdobramentos não acrescentam em nada na história principal de One Piece e nenhum personagem tem um desenvolvimento marcante que vai carregar pro resto da sua trajetória. É uma aventurinha inofensiva, porém mais longa, para novos fãs conhecerem a jornada sem que eles percam muita coisa caso comecem a acompanhar o anime agora.
Isso anula a experiência de ver um anime bom? De jeito nenhum. Mesmo com os meus apontamentos, ainda posso garantir que One Piece: O Filme é um ótimo entretenimento tanto para quem acompanha o mangá desde o início quanto pessoas que estão tendo seu primeiro contato com a série agora. É um feijão com arroz bem temperadinho que vai te deixar feliz e de buchinho cheio. Assista ao trailer


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